Prédio onde funciona a SECMA
Denúncias graves envolvendo a Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma) vêm ganhando força nos últimos dias e levantam sérios questionamentos sobre a liberação de recursos públicos para o Carnaval. De acordo com áudios que circulam em grupos de WhatsApp da Grande Ilha, representantes de blocos tradicionais estariam sendo pressionados a obter a “benção” política do vereador licenciado André Campos, para conseguir autorização para se apresentar e, consequentemente, acessar incentivos culturais.
Segundo o conteúdo dos áudios, uma representante de um bloco tradicional afirma que sem o aval do parlamentar licenciado, os grupos simplesmente não conseguem avançar nos trâmites junto à Secma. A denúncia escancara uma possível interferência política direta em uma área que, por lei, deveria seguir critérios técnicos, culturais e transparentes.
Relatos de exclusão e favorecimento eleitoral
As denúncias não param por aí. Moradores do entorno do bairro Madre de Deus relatam que lideranças comunitárias ligadas ao vereador licenciado estariam, não sabemos se é a mando do próprio político, promovendo uma espécie de triagem eleitoral para o acesso a benefícios públicos.
Segundo os relatos, cestas básicas, apoios sociais e até serviços de infraestrutura, como asfaltamento de ruas, teriam sido destinados apenas a pessoas e comunidades que declararam apoio político ao parlamentar nas últimas eleições. Ruas onde moradores não votaram no grupo político do vereador teriam ficado de fora de obras básicas, aprofundando o sentimento de abandono e discriminação.
Cultura como moeda de troca política?
As denúncias reacendem um debate antigo no Maranhão: o uso da máquina pública como instrumento de controle político. No caso da cultura, o problema se agrava, pois atinge diretamente manifestações tradicionais que fazem parte da identidade popular da ilha de São Luís.
Diante desse cenário, surgem questionamentos inevitáveis:
- Por que blocos carnavalescos só conseguem se apresentar se estiverem alinhados politicamente com o vereador?
- Onde ficam os critérios técnicos, culturais e artísticos exigidos para o acesso aos incentivos da Secma?
- Favorecimento político pode ser confundido com gestão pública?
- É dessa forma que se decide quem entra e quem fica de fora dos critérios da SECMA?
Veja o vídeo abaixo:
O Blog da Mônica seguirá acompanhando o caso e cobra explicações oficiais dos órgãos envolvidos. Cultura não pode ser tratada como favor político, tampouco como moeda de troca eleitoral. O Carnaval pertence ao povo e não a projetos pessoais de poder.
