Nos últimos anos, o Carnaval de São Luís, tradicionalmente conhecido por suas manifestações culturais únicas, tem passado por um processo de “baianização”. Esse fenômeno se refere à adoção de elementos típicos do Carnaval da Bahia, em detrimento das tradições locais. A mudança tem gerado debates acalorados entre os foliões e especialistas culturais, que temem a perda da identidade maranhense. A “baianização” é vista por muitos como uma tentativa de modernizar e atrair mais turistas, mas também levanta questões sobre a preservação das raízes culturais de São Luís.
Os investimentos no Carnaval de São Luís têm sido significativos. Em 2025, o governo estadual destinou R$ 68 milhões para a festa, um aumento de 43,7% em relação ao ano anterior. Esse montante inclui repasses aos municípios e investimentos em segurança, infraestrutura e promoção do evento. A prefeitura de São Luís também contribuiu com recursos substanciais, embora os valores exatos não tenham sido divulgados. A expectativa é que o retorno econômico seja quatro vezes maior que o valor investido, movimentando a economia local e atraindo milhões de turistas.
Apesar dos investimentos, a valorização dos artistas locais ainda é um ponto crítico. Muitos artistas maranhenses sentem-se marginalizados em meio às grandes atrações nacionais que dominam os palcos principais. Embora o governo tenha feito esforços para incluir manifestações culturais locais, como o tambor de crioula, grupos afro, blocos tradicionais e blocos de rua, a presença de artistas locais nos principais eventos ainda é limitada. A falta de apoio contínuo e a preferência por artistas de fora do estado são vistos como obstáculos para o fortalecimento da cultura maranhense.
Os carnavais nos municípios do interior do Maranhão, que outrora atraíam muitos turistas e aqueciam o mercado local, têm enfrentado um enfraquecimento significativo. A centralização das festividades na capital, São Luís, e a falta de investimentos nos municípios menores são apontados como principais causas desse declínio. Cidades que antes eram conhecidas por suas festas vibrantes agora lutam para manter suas tradições vivas. A diminuição do fluxo de turistas impacta diretamente a economia local, reduzindo as oportunidades de geração de renda e emprego durante o período carnavalesco.