Fim de tarde na Praça João Lisboa. O calor não dá trégua, o povo circula, e o som distante de tambor lembra que a cidade pulsa. Juca tá no banco com o jornal aberto. Judith chega já com o assunto pronto.
Judith:
— Ô Juca, tu soube da última do Zacarias?
Juca:
— Se for confusão política, já sei que é coisa grande. Desembucha!
Judith:
— O homem organizou um evento lá na Praça das Mercês… e levou foi vaia do próprio povo!
Juca:
— Eita, minha nossa senhora! Vaia no evento que ele mesmo fez? Aí é derrota em casa, Judith!
Judith:
— Pois foi. O povo não perdoou não. Quando ele pegou no microfone… foi só “buuuu” ecoando.
Juca:
— Isso é o retrato, minha filha. Enquanto ele tá preocupado com eleição estadual, esquece do povo daqui… aí recebe a resposta ao vivo e a cores.
Judith:
— E lá na Madre Deus o povo só na bronca: rua precisando de atenção, estrutura capenga… e o vereador fazendo campanha pra um e atacando outro.
Juca:
— Zacarias virou foi “analista político de rede social”. De vereador mesmo, só o título.
Judith:
— (ri) Ô Juca, o povo quer é solução, não quer saber de discurso pra agradar aliado.
Juca:
— E o mais curioso: o evento era pra mostrar força… terminou mostrando foi insatisfação.
Judith:
— Aqui em São Luís é assim, meu filho. O povo pode até escutar calado… mas quando resolve falar, fala alto!
Juca:
— E olha que a Praça das Mercês já viu muita coisa… mas vaia em organizador do próprio evento não é todo dia não.
Judith:
— Enquanto isso, a Madre Deus segue esperando o vereador lembrar que foi eleito pra cidade, não pro estado.
Juca:
— Se continuar assim, Judith, da próxima vez ele não leva vaia não… leva é indiferença.
Judith:
— E aí é pior ainda, viu?
Os dois ficam em silêncio por um instante, olhando o movimento da praça. Ao fundo, o som do tambor parece dar o recado final: em São Luís, quem esquece o povo… acaba ouvindo o retorno.
