Fim de tarde na Praça João Lisboa. O calor ainda aperta, mas uma brisa tenta ajudar. Juca está sentado com o jornal aberto, lendo as manchetes internacionais. Judith chega, curiosa.
Judith:
— Ô Juca, desde quando tu virou especialista em geopolítica? Esse jornal aí tá parecendo coisa de embaixada.
Juca:
— Mulher, hoje em dia a confusão tá tão grande que até quem só lia a página policial agora tá lendo o mapa-múndi. Tu viu a história de Trump com a Groenlândia?
Judith:
— Vi foi pouco! O homem querendo comprar a ilha como quem compra terreno em Raposa. A Europa ficou foi passada!
Juca:
— Rapaz… Os europeus quase caíram da cadeira. Disseram logo: “Aqui não é feirinha, não!” Trump acha que o mundo é imobiliária.
Judith:
— Mas tu sabe por que ele cismou com a Groenlândia, né? É medo! Medo da China e da Rússia.
Juca:
— Medo grande, Judith. O homem treme mais que vara verde quando vê o dragão chinês e o urso russo chegando perto do quintal dele.
Judith:
— A China comprando porto, estrada, tudo quanto é canto… e a Rússia fazendo cara feia lá pro lado do Ártico. Trump ficou doido.
Juca:
— Aí resolveu fazer o quê? Comprar a Groenlândia! Como se dissesse: “Se não posso mandar no mundo, pelo menos mando numa ilha gelada”.
Judith:
— (ri) Europa ficou foi arretada. Alemanha, França, todo mundo dizendo: “Ô Trump, se orienta, criatura!”
Juca:
— Mas o homem não escuta. Ele pensa assim: “Se a China avança, eu compro. Se a Rússia ameaça, eu compro também”. Só não compra juízo.
Judith:
— E nós aqui no Maranhão só assistindo… comendo pipoca e pensando: se Trump governasse aqui, já tinha tentado comprar o Centro Histórico.
Juca:
— Com certeza! Ia dizer: “Compro São Luís, mas sem casarão velho”.
Judith:
— O mundo tá estranho, Juca. Antigamente tinha guerra, hoje tem leilão internacional.
Juca:
— Pois é. E enquanto isso, China e Rússia seguem caladinhas… deixando Trump gastar energia com gelo.
Os dois riem, observando o movimento da praça, enquanto o sol se despede atrás dos prédios do Centro.
