Relatos de internautas, lideranças comunitárias e foliões do bairro da Madre Deus, em São Luís, indicam que “Vem pra Madre”, não foi realizado na sexta-feira gorda de Carnaval, dia 13, não apenas por entraves administrativos, mas também por disputas políticas e vaidades nos bastidores da gestão cultural.
Segundo essas informações, o cancelamento do evento teria sido influenciado por um desentendimento entre o secretário Yuri Arruda e o vereador licenciado André Campos, atual gestor da Agência Executiva Metropolitana (AGEM). O Blog da Mônica já havia denunciado anteriormente que o parlamentar exerce forte influência sobre decisões da Secretaria de Cultura do Estado, inclusive no que diz respeito à liberação de recursos e à escolha de quais blocos entram ou não na folha de pagamento do Carnaval.
O que surge agora, nos bastidores, é um ingrediente novo: o fator político-eleitoral. De acordo com moradores, Yuri Arruda estaria frequentemente presente no bairro da Madre Deus, acompanhando ensaios, dialogando com grupos culturais e circulando entre lideranças comunitárias. Essa aproximação teria sido bem recebida pela população do bairro, considerado o mais cultural de São Luís.
Fontes ouvidas informalmente apontam que essa presença constante do secretário pode ter despertado “ciúmes políticos” no vereador licenciado, que teria a Madre Deus como seu “curral eleitoral”. Há relatos, inclusive, de que lideranças locais são tratadas com “rédeas curtas”, com acesso a benefícios, apoio e serviços públicos condicionados a alinhamento político.
Nesse contexto, cresce entre os moradores a avaliação de que a simpatia e a proximidade do secretário de Cultura com artistas, brincantes e comunidades tradicionais podem ter conquistado o apoio popular, algo que não teria agradado setores políticos acostumados a controlar o território por meio de influência e favores.
Para comerciantes, blocos tradicionais e trabalhadores da cultura, o resultado foi concreto: o cancelamento de um evento histórico, prejuízos financeiros e frustração coletiva. “A cultura da Madre Deus não pode ser refém de disputas políticas”, comentou um morador em rede social.
