O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que os investigados do núcleo policial e militar, acusados de envolvimento em uma trama golpista, sejam transformados em réus. Segundo a denúncia, esses militares teriam monitorado autoridades e participado de um plano que incluía até mesmo a morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o núcleo policial e militar desempenhou um papel central na execução de ações coercitivas e no monitoramento de alvos estratégicos. A denúncia aponta que o grupo fazia parte de uma organização criminosa com influência em setores das forças de segurança pública, alinhada a um projeto antidemocrático.
A delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid foi um dos principais elementos utilizados na investigação. A PGR defendeu a validade do acordo de colaboração, que trouxe detalhes sobre o funcionamento do esquema e o papel de cada envolvido. A defesa dos acusados, no entanto, argumenta que faltam provas concretas e questiona a competência do STF para julgar o caso.
O relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, deve liberar a denúncia para julgamento na Primeira Turma do STF nos próximos dias. Caso a denúncia seja aceita, os acusados passarão a responder como réus em um processo penal.
O caso, que envolve figuras de destaque das forças de segurança, reacende o debate sobre a influência de setores militares em ações que ameaçam a democracia. A sociedade aguarda com atenção os desdobramentos do julgamento, que pode marcar um importante capítulo na defesa do Estado Democrático de Direito no Brasil.