O presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou um decreto ordenando a convocação de 160 mil cidadãos para o serviço militar obrigatório, tornando-se o maior recrutamento da história recente do país. A medida ocorre em meio à guerra na Ucrânia e ao fortalecimento das forças armadas russas.
A convocação, que será realizada entre 1º de abril e 15 de julho de 2025, atinge jovens de 18 a 30 anos e supera os números de anos anteriores. Em 2024, foram convocados 150 mil recrutas, enquanto em 2023 esse número foi de 147 mil. O serviço militar obrigatório na Rússia dura 12 meses e ocorre tradicionalmente duas vezes por ano, na primavera e no outono.
Autoridades russas garantem que os novos recrutas não serão enviados ao conflito na Ucrânia, mas relatos anteriores indicam que promessas semelhantes já foram quebradas. Há denúncias de que muitos recrutas foram pressionados a assinar contratos como soldados profissionais e enviados para o front contra sua vontade.
O recrutamento em larga escala faz parte de um plano maior do Kremlin para expandir suas forças militares. Em setembro de 2022, Putin ordenou a mobilização parcial de 300 mil reservistas e, em 2024, anunciou planos para aumentar o efetivo das forças armadas para 1,5 milhão de militares.
Essa iniciativa ocorre em um contexto de crescente tensão militar entre a Rússia e o Ocidente, além de desafios internos relacionados ao recrutamento forçado e à insatisfação popular. Grupos de direitos humanos têm denunciado abusos e violações nas práticas de alistamento.
O aumento da convocação levanta preocupações sobre o impacto da guerra na sociedade russa e a capacidade do país de sustentar suas operações militares a longo prazo. Especialistas apontam que essa nova leva de recrutas pode ser um indicativo de que Moscou busca reforçar suas fileiras para garantir sua posição no conflito em andamento.