O amor virtual acaba de ganhar mais um capítulo digno de novela. Um maranhense de Imperatriz teria se apaixonado por uma mulher de Minas Gerais que usava as redes sociais para mostrar uma suposta rotina no campo e procurava um companheiro para dividir a vida rural. Com promessas de amor, carinho e uma vida tranquila, a personagem conquistou o coração do pretendente, que decidiu fazer as malas e partir ao encontro da amada.
O problema é que, ao chegar ao destino, o apaixonado teria descoberto que a mulher dos seus sonhos era, na verdade, uma criação de inteligência artificial. Foi aí que a história virou assunto para Juca e Judith, que não deixam passar uma boa conversa sobre os acontecimentos da vida real — ou quase real.
Judith: — Juca, tu soube da última? Um homem lá de Imperatriz se apaixonou por uma moça de Minas Gerais e se mandou praquelas bandas atrás do amor da vida dele!
Juca: — Eita, peste! O homem foi de Imperatriz até Minas? Isso não é paixão, é investimento em passagem! Mas como foi que essa história começou?
Judith: — A moça vivia nas redes sociais mostrando a vida rural, dizendo que queria um marido pra dividir a vida com ela. Prometia amor, carinho, sossego e uma vida boa no campo.
Juca: — Ah, minha Nossa Senhora! Só faltava oferecer café coado na hora, rede na varanda e um prato de juçara no domingo!
Judith: — Pois o caboco ficou encantado. A mulher era bonita, simpática, falava bonito e parecia ser tudo que ele procurava. Não pensou duas vezes: arrumou as malas e foi atrás da amada.
Juca: — Rapaz, ele não queria mais saber de conversa por mensagem! Queria relacionamento presencial. Foi trocar o Wi-Fi pelo abraço!
Judith: — Só que, quando chegou lá, veio a surpresa: a mulher nunca existiu. Era inteligência artificial!
Juca: — Como é, mulher?! O homem atravessou meio Brasil atrás de uma namorada que só existia na tela do celular?
Judith: — Foi o que aconteceu, meu filho! Ele imaginava uma mulher esperando na porteira, com um sorriso bonito e um cafezinho passado na hora. Mas a pretendente era virtual!
Juca: — Ô Judith, isso é levar um pé na bunda sem a bunda existir!
Judith: — Tu não presta, Juca! Mas imagina a decepção do coitado. Passou a viagem sonhando com a vida que ia levar: acordar cedo, cuidar dos bichos, tomar café com a amada…
Juca: — E a inteligência artificial planejando o futuro dele sem nem precisar sair da tomada! O caboco sonhando com casamento, e a noiva funcionando à base de servidor!
Judith: — O pior é que ela prometia uma vida boa, amor e carinho. O homem acreditou em tudo!
Juca: — Hoje em dia tem gente que acredita em promessa de político, em dinheiro fácil e agora até em casamento com mulher que só existe na internet!
Judith: — E olha que a inteligência artificial tá avançada, viu? Faz foto bonita, conversa direitinho, publica vídeo e conta história. Só não vai à igreja casar contigo!
Juca: — Nem vai fazer a mudança pra casa nova! Imagina o homem voltando pra Imperatriz e dizendo pra família: “Mãe, não deu certo. Minha noiva era virtual”.
Judith: — A mãe dele ia perguntar: “Mas, meu filho, tu não viu a mulher antes de viajar?”
Juca: — E ele respondia: “Vi, mãe! Vi foi muita foto, muito vídeo e muito coraçãozinho!”. Aí a velha dizia: “Pois agora vai cuidar da tua vida real, que essa aí não tem nem endereço!”.
Judith: — Ah, meu amigo, o amor é cego, mas agora precisa também de verificação de identidade!
Juca: — É isso! Antes de se apaixonar, tem que confirmar se a pessoa existe. Faz uma chamada de vídeo ao vivo, conversa com calma e desconfia quando tudo parece perfeito demais.
Judith: — Principalmente quando a pessoa promete amor eterno, vida boa, carinho todo dia e ainda diz que tu é o homem que ela sempre procurou!
Juca: — E o caboco de Imperatriz que se cuide! Saiu do Maranhão procurando uma mineira pra chamar de amor e quase voltou com um diploma em inteligência artificial!
Judith: — E tu, Juca, se apaixonaria por uma mulher dessas?
Juca: — Eu? Só se ela viesse conhecer a Praça João Lisboa, tomasse um guaraná Jesus comigo e provasse que não é feita de código!
Judith: — E se ela disser que prefere pão de queijo a juçara?
Juca: — Aí eu bloqueio na hora! Pode ser inteligência artificial, extraterrestre ou princesa de Minas Gerais. Quem não respeita a juçara não tem futuro comigo!
A gargalhada dos dois ecoou pelo banco da praça. Entre uma brincadeira e outra, ficou o alerta: relacionamentos virtuais podem ser verdadeiros, mas perfis falsos e imagens criadas por inteligência artificial tornam cada vez mais difícil distinguir realidade de ficção.
No fim das contas, Juca resumiu a história com a sabedoria de quem conhece bem as artimanhas da vida:
Juca: — Minha filha, no amor de hoje, o coração pode até ser de carne, mas a desconfiança tem que ser de aço!
Judith: — E fica o conselho do banco da Praça João Lisboa: antes de viajar atrás do amor da sua vida, confirme se ele tem vida!
Porque, em São Luís, pode faltar muita coisa, mas assunto bom pra conversa nunca falta. E, pelo visto, até o cupido agora precisa provar que não é um robô!
