A suspensão repentina de atendimentos e as falhas na oferta de terapias essenciais levaram mães atípicas às ruas de São Luís nesta semana. O protesto aconteceu na Avenida Jerônimo de Albuquerque, no bairro Cohab, em frente ao Dalplaza Center e ao Mateus Supermercados, bloqueando uma das principais vias da capital maranhense.
A mobilização foi organizada majoritariamente por mães e responsáveis por crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), clientes do plano de saúde Hapvida, que denunciam graves problemas no atendimento após mudanças na estrutura dos serviços.
Segundo os relatos, não se trata apenas de desorganização administrativa. O que está em jogo é a continuidade de tratamentos fundamentais. O descredenciamento de profissionais, a interrupção de terapias e a falta de suporte adequado têm provocado impactos diretos no desenvolvimento das crianças.
Para essas famílias, terapia não é luxo. É necessidade. É o que sustenta avanços conquistados com muito esforço ao longo de anos.
Quando o atendimento é suspenso sem planejamento, as consequências são profundas. A vida segue, a rotina não para, as crises continuam e muitas vezes se tornam ainda mais severas justamente pela ausência do suporte terapêutico. A regressão pode acontecer de forma silenciosa ou intensa.
Por trás dessa realidade está a vida de uma mãe atípica, que reorganiza toda a casa em função das terapias, estuda métodos, acompanha relatórios, reforça atividades em casa e enfrenta noites mal dormidas e crises inesperadas. Ela não é apenas mãe, é mediadora, cuidadora em tempo integral e defensora incansável dos direitos do filho.
As denúncias incluem interrupção de sessões, sobrecarga de profissionais, ausência de suporte técnico adequado e falhas no fluxo de atendimento. Há relatos de crianças inseridas formalmente em terapias que, na prática, não estão sendo realizadas.
As famílias reforçam que não pedem privilégios. Exigem respeito. Exigem responsabilidade. Exigem que decisões administrativas não coloquem contratos acima de vidas.
O movimento é um grito por dignidade e previsibilidade no cuidado. Porque quando o tratamento é interrompido, quem sente primeiro são as crianças e quem carrega o peso maior são as mães.
O Blog da Monica se coloca à disposição para continuar acompanhando o caso, publicando relatos e cobrando o cumprimento dos direitos de todas as crianças que dependem desses serviços essenciais. Informar também é uma forma de lutar.
