A greve parcial dos rodoviários do transporte urbano de São Luís chegou ao quarto dia, nesta semana, e continua afetando milhares de passageiros que dependem diariamente dos ônibus para se deslocar pela capital maranhense.
Esta já é a segunda paralisação dos rodoviários somente neste ano, aumentando a preocupação da população diante das frequentes interrupções no serviço.
Sem ônibus circulando nas linhas urbanas, muitos passageiros estão sendo obrigados a recorrer a transportes alternativos, aplicativos, vans e caronas para conseguir chegar ao trabalho, à escola e a outros compromissos.
O Sindicato dos Rodoviários afirma que a paralisação ocorre porque os trabalhadores não receberam o reajuste salarial de 5,5%, determinado pela Justiça do Trabalho.
Por outro lado, a Prefeitura de São Luís informou que os subsídios pagos às empresas do transporte coletivo estão em dia, e que a responsabilidade pelo pagamento dos salários e reajustes é das próprias empresas que operam o sistema.
Semiurbanos seguem circulando
Enquanto o sistema urbano segue paralisado, os ônibus do sistema semiurbano continuam circulando normalmente. Esses veículos atendem bairros dos municípios da região metropolitana, como Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar.
No entanto, os ônibus semiurbanos não estão entrando nos terminais de integração de São Luís, o que também dificulta a conexão dos passageiros com outras linhas.
Ministério Público investiga falhas no transporte
A paralisação acontece em meio a uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA), que abriu um inquérito civil para apurar falhas no sistema de transporte coletivo de São Luís.
A investigação busca esclarecer paralisações recorrentes, problemas estruturais e possíveis irregularidades na gestão e operação do sistema de transporte da capital.
Entre os alvos do inquérito estão:
o Município de São Luís
o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SET)
os consórcios Central, Via SL e Upaon-Açu
além da empresa Viação Primor Ltda
Como primeiras providências, o Ministério Público solicitou à Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) e ao SET uma série de documentos e informações sobre o sistema de transporte.
Entre os dados solicitados estão:
informações detalhadas sobre todas as linhas do sistema
itinerários, consórcios, concessionárias e frota de ônibus
planilhas de custos do transporte coletivo
valores de subsídios tarifários pagos entre 2021 e 2026
número de novos ônibus incorporados ao sistema no mesmo período
e medidas adotadas pela Prefeitura para corrigir falhas na prestação do serviço
Enquanto o impasse entre rodoviários, empresas e poder público continua, a população segue sendo a principal prejudicada, enfrentando dificuldades para se deslocar pela cidade.
