Brasília, 21 de fevereiro de 2025 – Em um depoimento revelador de sua delação premiada, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, trouxe à tona informações alarmantes sobre os últimos dias do governo Bolsonaro.
Mauro Cid revelou que em dezembro de 2022, Bolsonaro levou uma “minuta do golpe” para uma reunião com militares. A reunião, que aconteceu pouco antes de Bolsonaro deixar o cargo, abordava planos controversos relacionados à transição de poder. A revelação lança novas luzes sobre os últimos dias do governo e gera preocupações sobre possíveis tentativas de interferência nas normas democráticas do país.
De acordo com Cid, Bolsonaro pediu para monitorar o ministro Alexandre de Moraes, após receber informações de que o general Hamilton Mourão estava se encontrando com ele em São Paulo. Cid afirmou que, embora não tenha participado de um planejamento detalhado do golpe, sempre atuou a serviço de Bolsonaro. Além disso, ele mencionou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ficou visivelmente abalada ao testemunhar a mudança da família sendo retirada do Palácio da Alvorada, oferecendo um vislumbre do impacto pessoal e emocional que os eventos políticos tiveram sobre os envolvidos.
O acordo de colaboração premiada de Mauro Cid foi firmado com a Polícia Federal em agosto de 2023, em troca de informações úteis para as investigações, possibilitando benefícios como redução de pena e proteção para sua família.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, acusou formalmente Bolsonaro de cinco crimes, incluindo liderança de organização criminosa armada e tentativa de golpe de Estado. As penas máximas previstas para esses crimes podem chegar a quase 40 anos de prisão.
O ministro Alexandre de Moraes decidiu tornar os depoimentos públicos, o que permitiu a divulgação de mais detalhes sobre as investigações, que podem ter implicações significativas para futuras investigações relacionadas ao governo Bolsonaro e suas ações durante o período de transição.