Brasília, Brasil – As pressões para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicie uma reforma ministerial, removendo Nísia Trindade do Ministério da Saúde, aumentam significativamente. A ministra pode ser substituída por Alexandre Padilha, atual ministro da Secretaria de Relações Institucionais, uma escolha pessoal de Lula. Outra opção que circula nos bastidores é a indicação de Arthur Chioro, ex-ministro da Saúde nos governos de Dilma Rousseff, com apoio do ministro da Casa Civil, Rui Costa.
Fontes próximas ao Palácio do Planalto informam que a mudança visa fortalecer a pasta da Saúde, que possui um dos maiores orçamentos da União, totalizando R$ 227,8 bilhões este ano. Essas mesmas fontes afirmam que Nísia “cumpriu sua missão” e agora é necessário “avançar” nas políticas públicas.
Durante a transição governamental, Nísia Trindade, ex-presidente da Fundação Oswaldo Cruz, foi escolhida por sua trajetória profissional sólida e sua capacidade de recuperar a credibilidade do ministério após o negacionismo durante o governo de Jair Bolsonaro, especialmente na pandemia de covid-19. Sob sua liderança, Fiocruz desenvolveu a vacina contra o novo coronavírus e resistiu às pressões bolsonaristas.
Padilha é considerado um “curinga” pelos aliados do governo, capaz de se adaptar a qualquer posição. Sua experiência como ministro da Saúde no governo Dilma e sua relação com o Congresso, devido ao seu mandato como deputado federal, são vistas como vantagens para o fortalecimento das articulações governamentais.
Mudanças no Palácio: A nomeação de Padilha para a Saúde abriria espaço para a entrada de um representante do Centrão na Secretaria de Relações Institucionais. Silvio Costa Filho, atual ministro dos Portos e Aeroportos, é o mais cotado para a função, o que, segundo interlocutores, melhoraria ainda mais o relacionamento com o Congresso. A amizade entre o pai de Silvio, o ex-deputado Silvo Costa, e Lula, é considerada um bônus adicional.
Apesar das pressões, Lula não demonstra pressa em tomar a decisão, afirmando que mudanças são feitas conforme necessário. “Nunca levei, definitivamente, a sério qualquer pesquisa, em qualquer momento. Pesquisa serve para estudar, saber se tem que mudar de comportamento, e isso eu faço. Mudo quando quiser. Da mesma forma que coloquei quem queria, tiro quem eu quiser,” declarou o presidente em uma coletiva de imprensa recente.
Desafios e Crises: Nísia Trindade enfrenta críticas severas, especialmente em relação à epidemia de dengue, que registrou um recorde de 6,5 milhões de casos no início de 2024. Recentemente, ela esteve em São José do Rio Preto (SP), inaugurando um novo centro de hidratação contra a dengue, na cidade que possui o maior número de casos do país.
Além disso, a ministra tem enfrentado desgaste devido à situação dos hospitais federais do Rio de Janeiro, que operam em condições precárias e são afetados pela corrupção. Um comitê foi instaurado para lidar com a questão, e a gestão dos hospitais Andaraí e Cardoso Fontes foi transferida para a Prefeitura do Rio de Janeiro em conjunto com o governo federal.
Apesar das dificuldades, Nísia Trindade mantém-se firme e o Ministério da Saúde divulgou uma nota reforçando o compromisso da gestão Lula em reestruturar o SUS e melhorar os indicadores de saúde, como o aumento da cobertura vacinal.
A pressão pela implementação do programa Mais Especialistas, que visa reduzir as filas do SUS, também é um ponto crítico. O programa é comparado ao Mais Médicos, lançado em 2013, e é visto como uma ferramenta essencial para reconquistar a popularidade de Lula em busca da reeleição.
Nísia cumpre agenda hoje em Maringá (PR) e estará com Lula no Rio de Janeiro amanhã para a celebração do aniversário do PT.
Foto: Ministério da Saúde